ARTIGO DE OPINIÃO: "JUSTIFICANDO A EXISTÊNCIA"

A convidada de hoje da sessão "artigo de opinião" é a Bibliotecária Regina Segurado, uma paulistana que mora em Belo Horizonte. Há alguns meses, tem dado suporte técnico para o Pólo de Leitura "Sou de Minas, Uai" nas questões referentes à organização geral das bibliotecas. É uma pessoa que reconhece o livro e  seu papel transformador. Acredita que a informação deve circular para fazer sentido e aplica esse posicionamento em sua vida pessoal e profissional. Confiram o texto abaixo: 

Arthur Mee and Holland Thompson, eds. The Book of Knowledge (New York: The Grolier Society, 1912)

Ainda existem mulheres que para sentirem-se vivas, limpam exaustivamente a casa. Será por acharem-se sujas, como sugere os manuais de psicologia? Ou porque precisam “justificar” a vida, ter uma razão para viver? A vida é um presente de DEUS para nós, não precisa de justificação, explicação, motivo. É tão somente VIDA!!! E é preciso vivê-la intensamente à cada instante com garra, alegria, confiança; saborear cada minuto prazerosamente, porque o tempo, esse, é implacável, inexorável, não retorna. Nada contra o fato de que é preciso viver em um ambiente limpo e saudável, mas não dá para se viver apenas em função dessa atividade. É preciso ir além, muito além do fazer repetitivo, compulsivo, obsessivo.

A cada instante nós podemos, nós temos a condição, a aptidão, a necessidade inerente no ser humano de crescer intimamente, transformar, transpor o limite da mesmice, da rotina, do cotidiano; fazer de um nada, tudo. Criar, inventar, reconstruir, esta é uma das grandes dádivas do ser, chamado humano: conseguir ultrapassar os dogmas do préestabelecido.

De repente me vem a idéia de que a melhor, mais salutar, mais importante faxina que podemos fazer é a “faxina interior”, a limpeza no coração, na mente, no ego.Tirar as “ervas daninhas” que poluem o jardim da nossa VIDA. Mágoas, ressentimentos, preconceitos, VERDADES construídas por nós. Nos livrarmos dos julgamentos sobre o outro, sobre posses, bens e propriedades que achamos que são de suma relevância.

Pensar em apenas viver, dia a dia como “se não houvesse amanhã”. Apenas inflar os pulmões, olhar o céu estrelado, sentir o perfume das flores, sorrir para uma criança, ouvir música, ler um bom livro, ver um belo filme, beber um vinho, compartilhando tudo isso com alguém que, sem dúvida, precisa valer a pena.

São Paulo, 29 de outubro de 2011
Bibliotecária


2 comentários:

  1. Que maravilha!
    Talvez a única possibilidade de escapar da robotização do cotidiano e enxergar ele mesmo com um olhar inventivo. Talvez assim possamos ver o quanto o fantástico cerca este cotiano tão banal que passa diariamente por nos sem percebermos.

    Muito bom Regina! =D

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